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No mundo dos dependentes químicos.


 

Olá amigos,

 

            Primeiramente, gostaríamos de explicar a propaganda acima, veiculada pela Associação Parcerias Contra as Drogas, pois sua visualização não está muito boa. A propaganda consiste em algumas folhas de maconha, em cada folha aparece escrito:   mal-me-quer, mal-me-quer, mal-me-quer   e assim por diante.  Desta forma a peça mostra que com a droga não existe bem-me-quer, somente o mal-me-quer. 

            Deixando a propaganda,  gostaríamos de deixar as nossas percepções e principalmente o que aprendemos com esta pesquisa. Primeiramente queremos dizer, respondendo ao comentário do nosso amigo Carlos (no tópico abaixo), que a nossa pesquisa reforçou as teorias estudadas, principalmente a da autora Alda Zaluar. O que percebemos é que na maioria dos entrevistados o fator relacionamento familiar influenciou, e muito, a entrada no mundo das drogas.

            Mas analisando mais pessoalmente, o que realmente marcou as nossas vidas neste trabalho foi perceber um grupo, que a princípio, denominamos de dependentes químicos, mas que, com o decorrer das entrevistas, percebemos que não são simplesmente dependentes químicos, mas sim seres humanos carentes que possuem auto-estima baixa e que na maioria dos casos não tiveram um apoio familiar para as suas indagações e questionamentos. Com isso, entendemos que um ingresso de uma pessoa ao vício, chegando deste modo à criminalidade, não tem como responsável somente o dependente. Vários fatores desde família, governo, o preconceito e o descaso tem contribuído para o aumento do número de usuários de drogas. Não estamos com isso dizendo que não há uma responsabilidade individual do dependente, mas sim que ele não é uma pessoa isolada  e que muitas ações estimulam e fazem com que a cada dia mais pessoas (principalmente jovens e adolescentes entrem para este mundo que é tão destrutivo e assustador.

            Finalizando, gostaríamos de deixar uma frase, que infelizmente não sabemos de quem é, mas desejamos que vocês reflitam com ela.

 

“A maioria das pessoas da classe média e média alta estão mais preocupadas na construção de mais celas nos presídios do que em salas nas escolas”. 

 



Escrito por Carmona às 21h04
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Olá amigos,

           Confiram a última entrevista da série com dependentes químicos. Nosso amigo, que chamaremos de LP, é um usuário de droga da classe média.

 

Como iniciou o seu envolvimento com as drogas?

 

LP- No meu caso fui influenciado pelos amigos, mais precisamente por um primo que era muito meu amigo e começou a usar drogas.

 

Que tipo de droga você tem costume de usar?

 

LP- Hoje em dia somente fumo maconha, mas já cheirei cocaína e tomava alguns comprimidos.

 

E sua família, como reagiu?

 

LP- Conversamos sobre este assunto justamente quando estava usando muita cocaína e estava com algumas mudanças em meu comportamento. O diálogo foi muito aberto e franco, nunca disseram que eu deveria parar de usar, apenas me mostraram que os prejuízos seriam muito grandes se eu continuasse como estava. Com isso decidi parar de usar cocaína e disse a eles que continuaria usando apenas maconha e eles me respeitaram.

 

Como é o seu relacionamento com sua família?

 

LP- Como já disse, sempre foi muito bom , sempre ouve muito diálogo. A única coisa triste é que perdi o meu pai há um ano devido a um enfarte.

 

Somente mais uma última pergunta. A que você atribui o seu vício?

 

LP- Não atribuo a ninguém, comecei a usar drogas porque quis e gosto e não pretendo parar.

 

 

 

Queridos acompanhantes deste blog. Deixamos esta entrevista para o final, devido ao fato desta fugir ao padrão de todas as outras. Este entrevistado foi o único que relatou possuir um relacionamento franco e aberto com seus pais, tendo-os como amigos. Em todos os outros casos, percebemos que não havia uma estrutura familiar, ou seja, não havia interação da família na vida do filho. Logicamente, como apontam Alda Zaluar em seu trabalho, não é somente estes fatores que influenciam o início do uso de drogas. Amigos, vizinhança, falta de emprego também influenciam. Mas o que percebemos na nossa pequena pesquisa é que na maioria dos casos a falta de amizade e de um relacionamento transparente, por parte dos pais com os filhos, contribuiu fortemente para o ingresso, dos filhos, no mundo das drogas. Percebemos que o fator pais separados, pode agravar e contribuir para a entrada no vício, mas pior do que isso é quando o filho não encontra na família um local para poder mostrar seus sentimentos, angústias e carências, ou seja, possuir pais separados pode agravar a situação, mas o mais importante é criar um verdadeiro e sincero relacionamento com os filhos.   



Escrito por Carmona às 14h18
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